O tipo mais comum de câncer de mama em mulheres mais velhas está associado a uma proteína que defende o corpo dos danos celulares relacionados ao envelhecimento. A descoberta é de uma equipe de pesquisadores da Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos.
O estudo conduzido por David Gius, pesquisador do Vanderbilt-Ingram Cancer Center, mostra agora como uma deficiência nesta proteína associada ao envelhecimento pode definir o cenário para que estes tumores (estrogênio e progesterona câncer de mama positivo) se desenvolvam.
Os resultados fornecem informações que podem ajudar na prevenção, rastreio e tratamento destes cânceres comuns relacionados com a idade. Embora o câncer não costume poupar os mais jovens, esta é uma doença do envelhecimento, já que a maioria dos casos ocorre em pessoas com mais de 50 anos.
No entanto, os processos biológicos subjacentes a essa associação não são claros. “A conexão entre o envelhecimento e o câncer é um dos fenômenos mais estabelecidos na pesquisa do câncer”, disse Gius. “O problema para resolver esta questão clinicamente significativa é que este campo carece de modelos in vivo para estudo”.
No final da década de 1990, as proteínas chamadas “sirtuins” estavam ligadas a vida útil prolongada observada em várias espécies mantidas sob uma dieta de restrição calórica. Estas proteínas pareciam defender o corpo contra os danos celulares relacionados ao envelhecimento.
As sirtuins estão presentes em todos os organismos vivos. Nos seres humanos foram identificadas sete proteínas sirtuins diferentes.
Em estudos anteriores, Gius e seus colegas haviam criado ratos com deficiência de sirtuins. Seus resultados mostraram que quando nocautearam o SIRT3 – uma sirtuins localizada nas mitocôndrias – os ratos desenvolveram ER/PR tumores de mama positivo, o tipo mais comum de câncer de mama em mulheres pós-menopáusicas.
Estes tumores também apresentaram aumento dos níveis de radicais livres e espécies reativas de oxigênio (ROS) – incluindo o superóxido, o metabólito primário de oxigênio na mitocôndria – que deu uma pista importante de que a deficiência do SIRT3 pode permitir que estes tumores se desenvolvam.
No estudo atual, os pesquisadores mostraram que camundongos deficientes em SIRT3 diminuíram a atividade da enzima desintoxicante manganês superóxido dismutase (MnSOD) apesar de ter níveis normais da proteína.
Gius e colegas determinaram que o MnSOD em camundongos sem SIRT3 era anormalmente modificado em um aminoácido específico (lisina 122). Esta modificação da MnSOD reduziu a capacidade da enzima para desintoxicar superóxido e surgiu para explicar o aumento de ROS em tumores de ratos SIRT3 nocaute.
“Estes resultados sugerem que a regulação da MnSOD desempenha um papel no câncer de mama receptor positivo”, concluiu Gius.
Gius e colegas desenvolveram um anticorpo capaz de avaliar o estado de acetilação da MnSOD, que pode ser potencialmente utilizado “para selecionar amostras de tecido mamário para determinar que mulheres correm o risco de desenvolver câncer por causa dessa desregulação MnSOD”.
-
Fonte: ISaúde


